Márcio Nunes apresentou os impactos da cadeia V12, os desafios da criptografia pós-quântica e o avanço da AR Eletrônica no ecossistema da certificação digital

A transformação da certificação digital brasileira, os desafios impostos pela inteligência artificial e as mudanças tecnológicas da ICP-Brasil estiveram no centro da palestra conduzida pelo diretor-presidente da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD), Márcio Nunes, durante o 7º Encontr[AR], promovido pela Associação das Autoridades de Registro do Brasil (AARB), em São Paulo.
O evento, realizado no último dia 13 de maio, reuniu representantes de todo o ecossistema da certificação digital brasileira em um momento marcado pela modernização da ICP-Brasil, pelos debates sobre segurança digital e pela evolução dos modelos de autenticação eletrônica.
Com o tema “Certificação Digital em transformação: V12, automação e o fim das jornadas fragmentadas”, Márcio Nunes destacou que a confiança digital se consolidou como elemento essencial da infraestrutura tecnológica moderna.
“A confiança digital é uma infraestrutura invisível, mas presente em todos os ambientes. Desde a criação da ICP-Brasil, ela sempre esteve ligada à garantia da identidade do titular na emissão do certificado digital”, afirmou.
Segundo ele, o certificado digital deve ser entendido como uma credencial capaz de garantir autenticidade, interoperabilidade e validade jurídica nas transações eletrônicas, preservando a integridade dos documentos digitais mesmo em cenários de indisponibilidade dos sistemas de validação.
Márcio Nunes também abordou os avanços regulatórios relacionados à criptografia pós-quântica e às adaptações previstas na Instrução Normativa nº 35/2026, que incorpora novos requisitos tecnológicos à ICP-Brasil.
“Vivemos no mundo dos algoritmos. Temos algoritmos criptográficos, algoritmos de inteligência artificial e até o algoritmo biológico, que é a capacidade humana de criar soluções novas”, destacou.
Outro ponto central da palestra foi a modernização dos processos de emissão de certificados digitais por meio da AR Eletrônica e dos modelos de emissão autoassistida. Segundo o presidente da ANCD, a nova estrutura busca simplificar jornadas, ampliar a segurança e oferecer uma experiência mais eficiente para o usuário final, sem abrir mão da confiabilidade do sistema.
“A motivação da AR Eletrônica é justamente melhorar a segurança e a experiência da emissão digital. Não adianta coletar dados sem qualidade ou sem confiança, porque isso compromete toda a cadeia de validação”, explicou.
O dirigente destacou ainda que o aperfeiçoamento dos Prestadores de Serviço Biométrico (PSBio) se tornou estratégico para o setor, especialmente diante da necessidade de garantir unicidade biométrica, qualidade das bases e sincronização das informações.
Ao tratar das ameaças relacionadas à inteligência artificial, Márcio Nunes alertou para o avanço das fraudes digitais envolvendo clonagem facial, injeção de vídeos e reprodução de voz por IA. “A defesa estática contra ataques de inteligência artificial vai perder sempre. Precisamos usar inteligência artificial também para combater essas ameaças”, afirmou.
Ele explicou que tecnologias como Live Detection, biometria avançada e monitoramento contínuo passaram a ser indispensáveis para mitigar riscos relacionados às chamadas deepfakes.
Durante a palestra, o executivo também chamou atenção para os riscos da captura de voz por sistemas de IA. “Com apenas 10 segundos de voz já é possível clonar uma fala praticamente perfeita”, alertou.
Márcio Nunes afirmou ainda que a automação e a consolidação normativa devem abrir espaço para novos modelos de negócios e para a eliminação das chamadas “jornadas fragmentadas” na emissão de certificados digitais.
“Mais do que substituir a videoconferência, precisamos entregar uma nova experiência digital para o usuário, com segurança, rastreabilidade e confiança”, concluiu.
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