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Deepfakes e IA generativa desafiam a confiança digital e exigem novas estratégias de proteção

Especialistas do Serpro e do Banco do Brasil apontam aumento da sofisticação das fraudes e destacam a necessidade de combinar tecnologia, curadoria humana e experiência do usuário
Divulgação

O avanço da inteligência artificial generativa e a crescente sofisticação dos deepfakes estão colocando em xeque a confiança digital em escala global. O tema foi debatido no painel “Deepfake, IA generativa e o colapso da confiança digital”, realizado na quarta-feira, 18, no evento Febraban Tech, em São Paulo.

Deepfake é uma técnica que utiliza inteligência artificial para criar vídeos, imagens ou áudios falsos extremamente realistas, simulando a identidade de uma pessoa. Na prática, pode imitar rostos, vozes e expressões com alto grau de precisão, ampliando significativamente o risco de fraudes digitais.

Ataques mais sofisticados e mais acessíveis

Carlos Rodrigo Fonseca Lima, gerente do Centro de Excelência em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do Serpro, afirmou que a maior visibilidade dos sistemas aumenta as tentativas de fraude. “O momento em que você vira vidraça é o momento em que você começa a chamar atenção. Quanto mais notoriedade, mais você é testado”, disse. Segundo ele, os ataques também evoluíram rapidamente. “Em 2020 e 2021, eram rudimentares, a gente até dava risada. Hoje, impressionam e estão diretamente ligados à evolução da IA generativa”, afirmou.

O especialista também chamou atenção para a democratização dessas tecnologias, que alterou profundamente o perfil dos fraudadores. “Antes, eram poucas pessoas com conhecimento técnico. Hoje, qualquer um consegue acessar essas ferramentas. A facilidade de uso traz benefícios, mas também amplia os riscos”, disse.

Na avaliação do especialista, essa mudança também reflete uma nova motivação. “Antes, o ataque tinha um objetivo claro de fraude. Hoje, muitas vezes, é também para testar os limites, entender até onde o sistema aguenta, especialmente quando envolve o governo”, afirmou.

O crescimento do volume de transações reforça esse cenário. “Em 2021, processávamos cerca de 15 milhões de transações. Hoje, já são 50 milhões, e a tendência é continuar crescendo. Provavelmente, em breve estaremos falando em 100 milhões”, projetou.

Fraude deixa de ser artesanal e ganha escala industrial

Na avaliação de Luiz Maurício Zonta, gerente da Unidade de Segurança Digital do Banco do Brasil, a principal transformação está na escala das operações criminosas. “O que antes era artesanal hoje é estruturado. Existe um processo quase empresarial por trás das tentativas de fraude”, explicou.

Ele também fez um alerta sobre abordagens simplificadas. “Colocar uma única tecnologia como solução central é um risco. Quanto mais a gente foca em um mecanismo, mais os fraudadores encontram caminhos alternativos”, completou.

AIBio e a resposta do Serpro

Na linha de frente desse cenário, o Serpro aposta em uma abordagem integrada, combinando múltiplas tecnologias e inteligência analítica. Nesse contexto, o AIBio, plataforma de automação biométrica desenvolvida pela empresa, tem papel estratégico no enfrentamento às fraudes. “A gente trabalha com um dos maiores ecossistemas biométricos do mundo, com múltiplas bases integradas e diferentes formas de validação, como face, voz e digitais”, destacou Carlos Rodrigo.

Segundo ele, a robustez da plataforma está na escala e na diversidade de dados. “São centenas de milhões de faces e bilhões de digitais, além de dezenas de milhões de validações realizadas todos os meses. Isso fortalece a confiança nos serviços e ajuda a prevenir fraudes em larga escala”, afirmou.

Ele ainda reforçou que a estratégia vai além da adoção de uma única tecnologia. “Não existe bala de prata. A gente não confia em uma solução só. Trabalhamos com soluções orquestradas e heurísticas para observar padrões e identificar desvios.”

Tecnologia e curadoria humana

Outro ponto de destaque foi o papel das equipes especializadas na interpretação dos dados. “Hoje, o time de curadoria precisa ser tão bom quanto o time técnico. Não existe máquina que substitua a capacidade de observar comportamentos fora do padrão”, explicou o gerente do Serpro. De acordo com ele, o foco da atuação também mudou. “A gente deixou de ser reativo para ser propositivo, antecipando movimentos para evitar a fraude”, disse.

Segurança e experiência do usuário

O equilíbrio entre proteção e usabilidade também foi tema de debate. O mediador Rodrigo Pimenta, diretor técnico da Identy.io, questionou até que ponto o aumento da segurança pode impactar a experiência do usuário e os resultados das instituições.

Zonta destacou os riscos do excesso de barreiras. “Eu preciso autenticar o cliente com uma experiência fluida e, ao mesmo tempo, mitigar fraudes. Se aumento demais a fricção, deixo de fazer negócio. O cliente simplesmente vai para outro app”, afirmou. Para ele, o desafio está em garantir segurança sem comprometer a jornada. “A gente precisa dar essa garantia ao cliente, deixá-lo seguro, mas sem bloquear a experiência”, concluiu.

Carlos Rodrigo reforçou a necessidade de inclusão. “A gente precisa proteger, mas também garantir acesso. No caso do Serpro, temos, além da necessidade de combater as fraudes, o cuidado de não deixar nenhum brasileiro de fora”, afirmou.

Evolução contínua

Diante da rápida evolução das ameaças, a atualização constante dos sistemas se tornou indispensável. “Hoje, a gente sobe modelos semanalmente. É um processo contínuo de teste, aprendizado e adaptação”, afirmou Carlos Rodrigo.

Ele também destacou a importância da troca de experiências. “Nossa área exige capacitação constante. Estar em eventos como este permite trocar conhecimento e evoluir as soluções o tempo todo”, avaliou.

Fonte: Comunicação do Serpro

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