Notícias

Assinatura eletrônica para criar partidos é medida para o futuro

Para especialistas, realidade atual do país dificulta adoção da ferramenta ainda para 2020. Porém, presidente do TRE pondera que norma ajudaria a diminuir fraudes

Por THAÍS MOTA

Autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no final do ano passado, o uso de assinaturas eletrônicas para a criação de partidos políticos é medida de difícil implementação para as eleições deste ano e inacessível para a maioria dos brasileiros.

Ao autorizar a nova ferramenta, o TSE contrariou o ministro Og Fernandes, relator do caso, que acredita que a adoção do sistema é inadmissível no atual momento por ser onerosa e inacessível a grande parte da população. “É benefício para alguns, onerosa para todos e sem nenhum ganho para o sistema eleitoral”, defendeu.

A decisão respondeu a uma consulta apresentada pelo deputado federal Jerônimo Pizzolotto Goergen (PP-RS) e pode ter impacto na criação do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro pretende criar. Apesar da autorização do TSE, a viabilização e a adoção do sistema foi condicionada à prévia regulamentação pela Corte e desenvolvimento de ferramenta tecnológica para aferir a autenticidade das assinaturas – o que ainda não tem previsão para acontecer. Por isso, não é possível afirmar que as regras estarão em vigência até as próximas eleições. 

O próprio presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, não acredita que essa possibilidade esteja disponível a tempo do pleito de outubro de 2020. No entanto, ele vê com bons olhos a utilização das assinaturas eletrônicas, pois avalia que a medida pode conferir maior agilidade ao processo de conferência de assinaturas e reduzir o risco de fraudes.

“A Justiça Eleitoral sempre foi pioneira em novas tecnologias, e a novidade da assinatura digital pode ser comparada à urna eletrônica – que garantiu agilidade ao processo de apuração das eleições e também diminuiu a possibilidade de fraudes”, avalia Lima. 

Já a advogada eleitoralista e professora de direito Edilene Lobo alerta que, apesar de a utilização da tecnologia nos processos políticos e eleitorais ser uma tendência, a assinatura eletrônica, como utilizada no Brasil e autorizada pelo TSE, ainda é um sistema inacessível à grande parte dos eleitores. “No formato atual, pouquíssimas pessoas possuem a assinatura eletrônica, algo em torno de 3% da população. Isso por se tratar de um sistema caro e excludente”.

Ela também acredita que a coleta de assinaturas eletrônicas seria mais eficaz se associada à base biométrica que tem sido montada pelo TSE ao longo dos últimos anos. Atualmente, 75% dos eleitores brasileiros já têm cadastro biométrico, e o sistema, além de já estar implantado em municípios de todos os Estados brasileiros, seria mais seguro e garantiria mais agilidade ao processo de apoiamento à criação de novos partidos políticos. “Quando esse sistema estiver disponível em todo o país, transformará o trabalho de meses de conferência de assinaturas em algo que pode ser feito em poucos dias. Será mais ágil e econômico”, afirma.

O presidente do TRE afirma que essa é uma possibilidade que deve ser estudada pelo TSE. Entretanto, ele alerta que o uso da biometria para apoiamento à criação de partidos poderia restringir o acesso da população já que seria necessário que o eleitor comparecesse a um cartório eleitoral para registrar seu apoio.

Além disso, o processo de cadastro biométrico dos eleitores só deve ser concluído em 2022.

Certificado digital custa pelo menos R$ 150

O uso da assinatura eletrônica no Brasil depende de um certificado digital emitido pela Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) – estatal subordinada à Casa Civil e que confere autenticidade às assinaturas. Atualmente, o processo para obter certificação digital de assinatura eletrônica custa entre R$ 150 e R$ 360 e precisa ser renovado periodicamente, o que o torna inacessível para boa parte dos cidadãos brasileiros.

Ainda segundo a professora de direito eleitoral Edilene Lobo, há outras possibilidades já utilizadas em países do Leste Europeu e também na Rússia que seriam mais simples, baratas e até mais seguras que a assinatura eletrônica. É o caso da tecnologia de blockchain – que é o princípio por trás do bitcoin e de outras moedas virtuais, em que a segurança dos dados é garantida por meio da criptografia.

“A tecnologia de blockchain poderia ser uma possibilidade para o Brasil, após a Justiça Eleitoral acumular estudos sobre o tema e verificar a viabilidade técnica. A credito que o TSE já esteja acompanhando isso”, afirma.

Criar sigla não é uma tarefa fácil no Brasil

Atualmente, a legislação eleitoral exige a coleta de assinaturas equivalentes a 0,5% do total de votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados, o que corresponde a 491 mil eleitores divididos em pelo menos nove Estados. A Justiça Eleitoral também exige apoio de pelo menos 0,1% do eleitorado de cada unidade da Federação.

Até agora, não havia qualquer regra sobre a utilização de assinaturas eletrônicas nesse processo. A legislação previa apenas que as adesões deveriam ser colhidas em listas ou fichas individuais disponibilizadas pela Justiça Eleitoral. Além disso, as assinaturas precisam ser checadas e validadas por cartórios eleitorais.

Para que um partido dispute as eleições em outubro de 2020, precisa estar devidamente regularizado junto à Justiça Eleitoral até abril do mesmo ano – seis meses antes da votação. Sem a assinatura digital, o Aliança para o Brasil, que Bolsonaro quer criar, calcula já ter 104 mil assinaturas, mas estima que apenas 35 mil delas tenham sido entregues à Justiça Eleitoral.

Foto: Alex de Jesus

Fonte: O Tempo

 

Leia também

Mais notícias

Serviços

Consultas Processuais
Consulta Jurídica
Clipping do DOU

Convênios

eGAC
pki
CryptoID
Insania
Serpro
YIA
Class One
Partiu Clube de Vantagens
Defensus Registros
Polluz
GFSIS
Gestão AR
VHSYS
Moreira Audtores
CertClube
Kypton Tech
Ions Benefícios
Select consultoria e tecnologia
ABES - Associação Brasileira das empresas de sotfware
SafeComply