
O Governo do Brasil está dando mais um passo na construção de um ambiente digital mais seguro, eficiente e centrado nas pessoas com projetos para adotar o uso de credenciais verificáveis. Durante a abertura do 2º Workshop de Credenciais Verificáveis, realizado nesta quarta-feira (17/6), na sede da Dataprev, em Brasília, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou o potencial dessa iniciativa para simplificar a vida da população e fortalecer a confiança nas interações digitais.
As credenciais verificáveis permitem que cidadãos comprovem informações, direitos, condições ou autorizações de forma digital, segura e com respeito à privacidade. Na prática, a tecnologia possibilita apresentar apenas os dados necessários para cada situação, reduzindo burocracias e evitando o compartilhamento excessivo de informações pessoais. “A ideia da interoperabilidade é uma integração de dados com respeito a todas as normas de segurança, de privacidade, a integração desses dados permite uma oportunidade, ela é a chave para a discussão de credenciais verificáveis”, afirmou a ministra.
Esther Dweck destacou ainda como a nova infraestrutura integra a estratégia de transformação digital do Governo do Brasil, baseada na oferta de serviços públicos mais personalizados e alinhados às necessidades das pessoas. “Um governo que vai poder antecipar as demandas da população, e não apenas esperar que a população demande o que ela precisa, mas oferecer diretamente aquilo que elas precisam. E, para isso, o governo precisa ser inteligente, estar centrado nas pessoas, e ser capaz de identificar oportunidades, de antecipar necessidades, e informar a cada um os seus direitos e benefícios de políticas públicas, inclusive alguns que elas, às vezes, desconhecem”, destacou.
Além da ministra, participaram da mesa de abertura Yolanda Martínez, representante do Banco Mundial, e Hartmut Glaser, representante do CGI.br, instituições parceiras na realização do evento. Yolanda destacou o protagonismo brasileiro na construção de soluções digitais inovadoras e o reconhecimento internacional alcançado pelo país na área de governo digital. “O Brasil é nosso aliado e cliente mais importante, e uma grande referência em matéria de transformação digital”, afirmou.
Infraestrutura Pública Digital
A ministra Esther Dweck ressaltou que a Infraestrutura Pública Digital de Credenciais Verificáveis funcionará como uma camada pública de confiança, permitindo que evidências emitidas por fontes oficiais sejam transformadas em provas digitais verificáveis. Dessa forma, o cidadão poderá comprovar informações de maneira simples e segura em diferentes contextos.
“A confiança pública precisa estar preparada para circular no ambiente digital com segurança, governança, e proporcionalidade, se conseguirmos fazer isso bem, as credenciais verificáveis poderão sim fortalecer o Estado, simplificar as jornadas das pessoas e abrir novos caminhos para uma economia digital mais segura e inclusiva”, explicou.
A expectativa é que a infraestrutura contribua para simplificar jornadas em áreas como acesso a serviços públicos, crédito, educação, saúde e comprovação de identidade, além de estimular a inovação e o desenvolvimento de novos serviços digitais.
Um exemplo prático disso é o projeto piloto de credenciais verificáveis que o MGI desenvolveu no Rio Grande do Sul, por meio do aplicativo Meu Imóvel Rural. A plataforma passou a disponibilizar aos produtores rurais cadastrados os documentos necessários para acesso a políticas públicas e créditos bancários de forma segura, digital e simplificada. Saiba mais: https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/mgi-lanca-projeto-piloto-de-credenciais-digitais-para-produtores-rurais.
Programação
Ao longo do primeiro dia do workshop, especialistas nacionais e internacionais debatem os principais conceitos, padrões e aplicações das credenciais verificáveis. A programação inclui discussões sobre a Infraestrutura Pública Digital de Credenciais Verificáveis, os padrões internacionais desenvolvidos pelo W3C, os processos de emissão, solicitação e apresentação de credenciais digitais, além de casos práticos de implementação. Também serão apresentados os avanços da Carteira Digital Gov.br e experiências de outras carteiras digitais já existentes ou em desenvolvimento, reunindo representantes do governo, da academia, de organismos internacionais e do setor privado.
Uma outra participante do MGI no evento foi a secretária adjunta de Governo Digital, Luanna Roncaratti, que foi uma das debatedoras durante o painel “Infraestrutura Pública Digital de Credenciais Verificáveis”. Durante sua fala, Luanna destacou que a administração pública tem um custo social e econômico muito alto para checar a identidade das pessoas, de fazer a comprovação documental física.
“Credencial verificável é o documento digital emitido e que vai trazer padrões tecnológicos e criptográficos que vão garantir mais segurança, com mais disponibilidade, integridade, confidencialidade e autenticidade das informações”, explicou Luanna. “O uso das credenciais verificáveis para possibilitar que o titular prove esses dados sobre si sem compartilhar um excesso de informações, e o resultado disso, a nossa expectativa é que aumente a confiança nessas transações”, complementou.
Segurança e Infraestrutura pública digital são destaques no 2º Workshop de Credenciais Verificáveis

A construção de um ecossistema digital baseado em confiança, interoperabilidade e controle dos dados pelo cidadão marcou os debates do primeiro dia do 2º Workshop de Credenciais Verificáveis, realizado, em Brasília, nesta quarta e quinta-feira (17 e 18/6). O evento é fruto de parceria entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, do Banco Mundial e do Ceweb.br/NIC.br.
O primeiro dia do Workshop contou com sete painéis que trataram de temas como confiança digital, compartilhamento seguro de dados, interoperabilidade entre sistemas, verificação de atributos e os avanços da Carteira Digital Gov.br na adoção de credenciais verificáveis. No primeiro painel, o especialista em projetos web do CWEB.br, Henrique Xavier, apresentou os conceitos fundamentais das credenciais verificáveis e destacou seu potencial para ampliar a privacidade e o controle dos cidadãos sobre seus dados. Segundo ele, a tecnologia permite compartilhar apenas as informações necessárias para cada situação. “As credenciais verificáveis permitem a revelação seletiva de informações, como comprovar que uma pessoa é maior de idade sem revelar sua data de nascimento, idade ou identidade”, explicou.
Marcos Moreira, diretor de Infraestrutura Nacional de Dados da Secretaria de Governo Digital do MGI, destacou o potencial das credenciais verificáveis para ampliar o acesso a serviços digitais de forma segura, preservando a privacidade dos usuários. Segundo ele, a adoção de padrões abertos e interoperáveis permitirá que as soluções desenvolvidas pelo Brasil sejam reconhecidas e utilizadas em diferentes contextos, inclusive além das fronteiras nacionais. “Nós queremos atender não só as pessoas do Brasil, mas poder atender pessoas do Brasil que estão fora e pessoas que não são brasileiras, mas que precisam consumir nossos serviços”, afirmou.
A interoperabilidade internacional já faz parte da estratégia de transformação digital do governo brasileiro. Um exemplo é o compromisso de acelerar os trabalhos sobre o reconhecimento mútuo de meios de autenticação e identificação digital entre os países membros do Mercosul, definida no ano passado. Para Moreira, a adoção de padrões internacionais nas credenciais verificáveis permitirá ampliar essa integração, tornando mais simples e segura a comprovação de informações e direitos em diferentes países e plataformas digitais.
A programação também contou com um painel dedicado à Identidade Digital GOV.BR, que apresentou os avanços da plataforma na incorporação de credenciais verificáveis. A coordenadora-geral de Plataformas de Identidade Digital da Secretaria de Governo Digital, Germana Gladys, destacou a ampla adoção da ferramenta pelos brasileiros. “Hoje, o aplicativo GOV.BR, que faz parte do ecossistema da conta GOV.BR, tem mais de 80 milhões de dispositivos instalados. Temos 42 milhões de acessos mensais ao aplicativo atualmente e, na nossa carteira, mais de 55 milhões de documentos digitais”, afirmou.
Segundo Germana, as credenciais verificáveis representam uma evolução desse ecossistema ao permitir o compartilhamento seletivo de informações, com mais privacidade e segurança para os usuários. “Eu posso compartilhar se sou maior de idade ou não, usando o que a gente conhece como prova de conhecimento zero. Isso acaba levando à minimização de dados, atendendo à LGPD e dando mais privacidade”, explicou.
O último painel do primeiro dia reuniu representantes de iniciativas de carteiras digitais em desenvolvimento ao redor do mundo, incluindo empresas como o Google e a Hovi ID, empresa de infraestrutura de identidade digital. Durante o debate, foram apresentados exemplos de implementação de credenciais verificáveis em países da Europa, Ásia e América Latina, além de discussões sobre interoperabilidade, privacidade e adoção de padrões globais.
Fundador e CEO da Hovi, Omer Shafiq destacou que o avanço das credenciais verificáveis depende da capacidade de integração entre diferentes sistemas e jurisdições. Para ele, o cenário atual representa uma oportunidade única para governos e empresas desenvolverem soluções compatíveis em escala global. “A interoperabilidade global está próxima. E aqui no Brasil, por exemplo, eu acho que essa verificação, o que é usado aqui no Brasil vai ser utilizável na Europa em breve, especialmente com os padrões OpenID. É uma grande oportunidade. Eu acho que fazia tempo que nós não tínhamos uma oportunidade tão boa para os setores público e privado”, afirmou.
Sobre o evento
O wokshop reúne especialistas do governo do Brasil, organismos internacionais, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa discutiram os avanços, desafios e oportunidades para a implementação das credenciais verificáveis no Brasil. A abertura do evento contou com a presença da ministra Esther Dweck e de Yolanda Martínez, representante do Banco Mundial, que destacou a atuação do Brasil na promoção das infraestruturas de governo digital. “O Brasil é nosso aliado e cliente mais importante, e uma grande referência em matéria de transformação digital”, afirmou. Confira como foi a abertura do evento clicando aqui.
O 2º Workshop de Credenciais Verificáveis segue sua programação nesta quinta-feira (18) com painéis que abordarão experiências latino-americanas, os possíveis impactos sociais negativos e outros exemplos de aplicações concretas. Você pode acompanhar os painéis pela transmissão ao vivo canal do NIC.br no YouTube.
Credenciais Verificáveis: confira o que foi destaque no último dia do Workshop
O segundo dia do 2º Workshop de Credenciais Verificáveis aprofundou as discussões sobre os desafios para implementação de um ecossistema nacional de credenciais verificáveis no Brasil. Os painéis abordaram temas como governança, estruturas de confiança, e proteção de dados pessoais, reunindo representantes do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), do Banco Mundial, da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e de instituições de pesquisa.
O primeiro painel do dia tratou da governança dos sistemas de credenciais verificáveis e dos modelos necessários para garantir interoperabilidade, segurança e confiança entre os diversos atores envolvidos no ecossistema digital. Durante o debate, especialistas destacaram a importância da construção de estruturas de governança capazes de assegurar padrões comuns, coordenação institucional e mecanismos de confiança para emissão e validação de credenciais digitais.
Representando o MGI, o diretor de programa da Secretaria Extraordinária para Transformação do Estado, Guilherme Almeida, destacou que a construção de um sistema nacional de credenciais verificáveis é um dos objetivos do governo e deve equilibrar aspectos humanos e proteção de dados. “Eu gosto muito do conceito de infraestrutura nacional de dados. A gente tem por enquanto no nível federal, mas acho que uma ambição de se tornar nacional, uma base de dados do Brasil, como diz o presidente Lula, uma lógica infraestrutural que considera pessoas, mas considera também as normas, as políticas, as arquiteturas, os modelos de dados, as ferramentas tecnológicas e os ativos de dados relacionados aos dados públicos”, afirmou.
ECA Digital
Na sequência, outro painel debateu o papel das credenciais verificáveis na implementação de soluções voltadas à proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais. Os participantes discutiram como tecnologias de verificação etária podem contribuir para o cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo ECA Digital, preservando ao mesmo tempo a privacidade dos usuários e evitando a coleta excessiva de dados pessoais.
A diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, Miriam Wimmer, ressaltou que a verificação de idade é um elemento central para a efetividade das políticas de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ela, um dos principais desafios está em desenvolver mecanismos capazes de garantir um grau adequado de segurança na comprovação da faixa etária dos usuários sem comprometer direitos fundamentais, como a privacidade e a proteção de dados pessoais. “O que nos parece ser a chave quando pensamos num sistema confiável, um sistema robusto de aferição e verificação de idade, é que ele coexista também com outros direitos fundamentais”, afirmou.
A diretora também destacou que o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados tornou-se cada vez mais fácil no ambiente online, tornando indispensável a adoção de mecanismos capazes de garantir experiências digitais compatíveis com cada faixa etária.
Representando o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, destacou que a verificação etária tende a assumir um papel cada vez mais relevante na experiência digital dos usuários. Para ele, a ferramenta deixa de ser apenas um mecanismo de restrição de acesso a determinados conteúdos e passa a integrar um conjunto mais amplo de medidas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Aplicações concretas e experiencias latino-americanas
O painel “Experiências Latino-Americanas” reuniu representantes de Honduras, Argentina, República Dominicana e Colômbia para compartilhar iniciativas voltadas à implementação de credenciais verificáveis e à modernização dos serviços públicos digitais. A mediação foi conduzida por Julian Niles, do Banco Mundial, que destacou a importância de ampliar o diálogo regional sobre credenciais verificáveis, seguindo o movimento já observado em outras partes do mundo, como a União Europeia.
Elmer Ferrera Padilla, da Direção de Gestão por Resultados de Honduras, destacou o enfoque social da infraestrutura digital no governo. “Em Honduras, o nosso foco do governo é bastante forte nos temas sociais. Com a ministra dos Benefícios Sociais, estamos trabalhando em um convênio para que a autenticação das pessoas possa ajudar a tornar a oferta dos benefícios mais transparentes, para que as pessoas que recebem os benefícios do governo sejam as pessoas que devem recebê-los”, afirmou.
Representando a Argentina, Sandra Negre da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia Argentina compartilhou sua experiência com a plataforma nacional de autenticação digital “Autenticar”, criada para integrar diferentes sistemas de identificação existentes no país. A iniciativa permite que órgãos públicos e governos subnacionais utilizem um protocolo unificado de autenticação, processando atualmente entre 11 e 12 milhões de autenticações mensais.
O país também apresentou os avanços do projeto Autenticar 2.0, desenvolvido em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que incorpora credenciais verificáveis baseadas nos padrões internacionais do W3C e mecanismos de compartilhamento seletivo de dados, permitindo que o cidadão controle quais informações deseja disponibilizar para acessar determinado serviço.
Já a República Dominicana destacou que a interoperabilidade entre sistemas, a qualidade dos dados e a capacitação de servidores e cidadãos são pilares fundamentais para o sucesso da transformação digital. O país apresentou o desenvolvimento de uma carteira digital voltada para pequenas e médias empresas, iniciativa que busca reduzir a burocracia e eliminar a necessidade de apresentação repetida de documentos em diferentes órgãos públicos. A proposta é oferecer uma identidade digital única e segura para os representantes empresariais, permitindo a automatização de processos que atualmente dependem de verificações manuais e documentos físicos.
Credencias Verificáveis e CAR
Entre os casos práticos apresentados esteve o uso do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o sistema eletrônico nacional que concentra informações ambientais de imóveis rurais, como áreas de preservação permanente, reservas legais e remanescentes de vegetação nativa.
Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o uso do CAR permitiu agilizar o acesso a benefícios emergenciais e garantir maior segurança e confiabilidade na validação de informações em cenários de crise, nos quais a rápida prestação de serviços é essencial.
Ao reunir especialistas nacionais e internacionais, representantes de governos, organismos multilaterais, empresas e instituições de pesquisa, o encontro consolidou-se como um espaço estratégico para o compartilhamento de experiências e para o avanço da agenda de identidade digital e credenciais verificáveis na região. Mais de 400 pessoas acompanharam as discussões ao longo dos dois dias de evento, tanto presencialmente quanto de forma remota, a organização já encaminhou no e-mail cadastrado dos inscritos o certificado de participação do Workshop.
Você pode conferir a gravação do evento na íntegra no canal do NIC.br no YouTube.
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

























