
Em celebração ao Mês das Mulheres, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) realizou, na tarde de quinta-feira (19/03), o ITI Conecta, edição especial do ITI Tech. O evento reuniu painéis conduzidos por cinco mulheres, destacando a presença feminina nos campos da tecnologia e da segurança da informação, além de reforçar seu protagonismo em áreas estratégicas para a transformação digital.
A iniciativa marcou o início da jornada “Dados que Lideram”, com foco em inteligência artificial e inovação no setor público. O encontro promoveu reflexões sobre como o uso estratégico de dados, aliado à IA e à inovação, pode fortalecer a governança digital e ampliar a capacidade do Estado de ofertar serviços públicos mais seguros, transparentes e eficientes.
O evento, moderado pelo coordenador-geral de Inovação, Cooperação e Projetos do ITI, Joelmo de Oliveira, contou com a abertura da diretora de Planejamento, Orçamento e Administração, Cristina Pinheiro Castilho Portela, e do diretor-presidente, Enylson Camolesi.
Gestão de riscos em dados
O primeiro painel abordou a governança de dados e a gestão de riscos, sendo conduzido pela doutora em Ciência da Informação e analista da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Shirley Pimenta.
Para a especialista, a gestão de dados na Administração Pública é essencial para a formulação e o monitoramento de políticas públicas. No entanto, desafios como baixa qualidade, falta de padronização e ausência de responsabilidades comprometem a confiabilidade das informações, geram retrabalho e impactam a credibilidade institucional. Nesse cenário, a governança de dados e a gestão de riscos tornam-se fundamentais, com destaque para o papel do curador de dados na garantia da qualidade e da integridade das informações.
“Reconhecemos os dados como ativos estratégicos que, na lógica econômica, são insumos que geram valor. No setor público, são fundamentais para a criação de políticas, serviços e normas. Como todo ativo estratégico, estão sujeitos a vulnerabilidades, como falta de qualidade, dados incompletos, inconsistentes ou até desatualizados”, destacou.
Curadoria de dados
O segundo painel tratou da curadoria de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), iniciativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sendo conduzido pela doutoranda em Geociências Aplicadas e coordenadora-geral de Dados e Informações do CAR, Kimberly Castro.
A especialista destacou que, diante do grande volume de informações do CAR, o desafio vai além da segurança, exigindo organização, padronização e integração. Nesse contexto, a curadoria de dados é essencial para garantir qualidade, transparência e uso efetivo das informações em políticas públicas.
“É ao gerar valor para o dado que ele se torna útil para o Estado, seja na formulação de políticas públicas ambientais ou no atendimento ao produtor rural. As estratégias falham quando ignoram as pessoas. O curador de dados precisa estar presente desde o início do processo”, afirmou.
Inteligência artificial no setor público
O terceiro painel foi conduzido pela doutora em inteligência artificial e coordenadora-geral de Fomento à IA Responsável do MGI, Thaciana Cerqueira, que apresentou iniciativas como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e discutiu os desafios para a adoção da tecnologia no setor público.
“Temos diversos sistemas estruturantes no governo e precisamos compreender como utilizar a inteligência artificial de forma estratégica nesses ambientes, inclusive no desenvolvimento de soluções e na geração de código. Esse é um debate essencial para a construção de políticas públicas de IA”, destacou.

Inteligência artificial e o desenvolvimento industrial
O quarto painel foi conduzido pela doutora em Política Científica e Tecnológica e coordenadora-geral de IA e Tecnologias Emergentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Pollyana de Carvalho.
Segundo a especialista, a IA ocupa posição central na disputa geopolítica global, exigindo investimentos e infraestrutura robusta. No Brasil, a adoção ainda é limitada e concentrada em grandes empresas, com desafios relacionados à baixa estruturação de dados e à dependência externa.
“Hoje, nas empresas brasileiras, a IA ainda está muito associada à automação de processos e ao reconhecimento de imagens. É um uso incremental, ainda distante de todo o seu potencial. A inteligência artificial não é apenas uma tendência, mas um novo paradigma econômico e industrial”, afirmou.
Políticas de inovação para estimular novas tecnologias
O quinto e último painel foi conduzido pela especialista em Relações Institucionais e Governamentais e CEO da P&D Brasil, Rosilda Prates, que destacou a importância dos dados e das conexões institucionais para o desenvolvimento tecnológico.
A especialista ressaltou, ainda, a importância de fortalecer a relação entre governo, indústria e centros de pesquisa, além de ampliar investimentos e incentivar a produção tecnológica nacional, com foco na geração de valor para a sociedade.
“Duas coisas movem o mundo: dados e relacionamento. Não basta ter dados, é preciso saber utilizá-los. Uma empresa que investe fortemente em pesquisa conseguiu se recuperar de um ataque cibernético justamente por ter seus dados organizados e protegidos”, afirmou.
Confira aqui o evento na íntegra!
Fonte: ITI

























