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Com pandemia, árabes buscam mais produtos no Brasil

A pandemia de coronavírus está trazendo grandes oportunidades de negócios com os árabes ao Brasil, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun.

Os árabes, segundo Hannun, estavam investindo muito no suprimento interno de alimentos. “Com a pandemia, eles congelaram esses investimentos para voltar a comprar alimentos principalmente do Brasil, então voltamos a ter mais oportunidades de vender alimentos com valor agregado e produtos complementares para a produção deles”, afirmou.

Mas o momento de quarentena mundial também trouxe alguns obstáculos, disse Hannun. “Estamos estudando desde 2015 a possibilidade de haver rotas marítimas diretas para os países árabes. Agora isso se mostra urgente e prioritário. A Câmara Árabe está dando prioridade para a instalação dessas rotas marítimas, porque eles têm essa necessidade de garantir os envios dos alimentos para lá”, disse.

Outro desafio é a maior agilidade no processo de exportação. “Estamos implementando a certificação digital em mais países árabes, ela veio para ficar pois encurta em 15 dias o prazo, diminui o custo e cumpre um papel social importante, porque o produto fica mais acessível aos consumidores árabes” disse Hannun. Um terceiro desafio é, segundo ele, uma maior demanda de produtos. “Estamos trabalhando para encontrar novos fornecedores para os Emirados, Bahrein e Egito, que estão demandando mais produtos”.

Hannun disse também que o Brasil está garantindo que o fluxo de alimentos aos árabes não pare. “Tudo isso é uma responsabilidade social nossa, principalmente com nossos fiéis compradores, eles sempre nos viram assim, então eles esperam essa reciprocidade e essa postura do Brasil é excelente, é isso que constrói uma relação” declarou.

Estudo sobre segurança alimentar da Câmara Árabe está analisando a complementariedade das demandas. “Este é um projeto estratégico para nós e para os árabes, porque trata do assunto fundamental que é a segurança alimentar. Temos os recursos naturais, a expertise que o mundo já conhece, e eles têm os recursos financeiros. Nós precisamos atrair os recursos para produção e logística. A internacionalização das empresas também é importante porque à medida que temos mais empresas brasileiras nos mercados árabes, isso abre caminho. Não pode ser uma relação só de compra e venda, tem que ser uma via de mão dupla”, disse Hannun, para quem a relação com os árabes também pode trazer mais benefícios para o mercado agrícola relativos a empregos. “Temos mais de quatro milhões de empregos diretos gerados pelo agronegócio, e podemos gerar muito mais com investimentos dos árabes”.

Ele ainda anunciou a abertura de dois novos escritórios internacionais da Câmara Árabe, que devem ser inaugurados até o fim do ano, um no Cairo, no Egito, e um em Riad, capital saudita.

Entre os produtos que podem crescer ou ser adicionados à pauta de exportação para os árabes, foram citados o feno, o grão de bico, as frutas e hortigranjeiros.

Com informações da Agência de Notícias Brasil-Árabe

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